FEBRACTABrasília
20/10/2010
Controladoras e Controladores de Tráfego Aéreo!
Sempre que o Dia Internacional do Controlador de Tráfego Aéreo (20 de outubro) chega, surge uma pergunta: vale à pena celebrar? A profissão não é regulamentada em nosso país, e, entre outras coisas, não temos o nosso valor reconhecido, a despeito das mensagens oficiais falando sobre nós.
Dividido em 3 categorias distintas, o controlador brasileiro não é visto como alguém que trabalha para a aviação civil, pois ainda não tem sua opinião ouvida em eventos relativos à aviação, não pode emitir seu ponto de vista a respeito de fatos ligados a área. Poderá incorrer em crime militar, no caso dos militares, ou ser isolado ou perseguido, no caso dos PTAs da INFRAERO.
Isto tudo acontece em plena vigência do Estado Democrático de Direito, liberdade de expressão e a despeito do fato de termos entidades representativas legalmente constituídas.
Vivemos no Leito de Procusto e estamos buscando formas de sair deste.
Esta busca, porém, faz com que os homens e mulheres que ora labutam como controladores não se dediquem a conhecer mais e melhor esta apaixonante profissão, evitando o surgimento de profissionais experientes e proporcionando uma lacuna teórica significativa, já que não se aprofundam nas normas e procedimentos, não exercem melhor sua atividade e não contribuem para o aprimoramento das teorias que fundamentam a atividade.
Pouca idade e experiência dos controladores são a tônica nos órgãos de controle de tráfego aéreo, ao mesmo tempo em que, para piorar, controladores mais experientes estão saindo de cena por motivos diversos. Os controladores jovens que puderam aprender com os mais experientes estão em busca de outras atividades devido ao desinteresse em continuar dentro do atual sistema.
Acidentes acontecem. É estatístico. A luta incansável é para evitá-los. Um combinado de circunstancias isoladas e tidas como normais pode elevar a probabilidade de ocorrência de um evento negativo. E, hoje, pelas conversas que circulam entre nós mesmos, as circunstâncias estão contribuindo para um desfecho fatídico mesmo com a melhoria dos equipamentos e tecnologia disponíveis, pois, no mínimo, são necessários homens e mulheres preparados e motivados a operarem e dominarem tais equipamentos e tecnologia, respectivamente.
Dentro deste cenário tão negativo, estão a FEBRACTA e suas afiliadas, num trabalho sem fim para que sejamos reconhecidos, respeitados e ouvidos como categoria. Embora não amplamente divulgado, batalhas estão sendo travadas, tanto por estas entidades, como por controladores individualmente, para apoiar nossos colegas envolvidos nas mais diversas situações legais pós 2006, uma vez que até aquele momento não havia nenhum tipo de amparo legal. As forças são desiguais, tal qual Davi e Golias, mas dentro do respeito às leis e as instituições, os esforços prosseguirão até o alcance dos objetivos finais. Por isso não devemos esperar que apareça um Teseu (O carrasco de Procusto) para nos salvar e, sim, devemos ser nosso próprio Teseu, afinal todos temos um dentro de nós.
A despeito dos aspectos acima, cremos que seja bom celebrar o nosso dia, pois, embora poucos, alguns avanços obtivemos nesses quatro anos turbulentos. Já existimos para a sociedade, equipamentos foram trocados e mudanças constitucionais estão sendo propostas pelo Ministério da Defesa no intuito de modificar o arcabouço jurídico da aviação civil brasileira. Portanto, celebremos!!
“Controlador de Tráfego Aéreo: nós protegemos as asas nos céus do país”
FEBRACTA